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Sábado, 10 de Maio de 2008

A HISTÓRIA DA MÚSICA - THE HISTORY OF MUSICA

Muitas obras de arte da Antigüidade mostram músicos e seus instrumentos, entretanto não existem conhecimentos sobre como os antigos faziam seus instrumentos. Apenas umas poucas peças completas de música da Antigüidade ainda existem, quase todas do povo grego.

Egito - Por volta de 4.000 a.C., as pessoas batiam discos e paus uns contra os outros, utilizavam bastões de metal e cantavam. Posteriormente, nos grandes templos dos deuses, os sacerdotes treinavam coros para cantos de música ritual. Os músicos da corte cantavam e tocavam vários tipos de harpa e instrumentos de sopro e percussão. As bandas militares usavam trompetes e tambores.

Palestina - O povo palestino provavelmente não criou tanta música quanto os egípcios. A Bíblia contém a letra de muitas canções e cânticos hebraicos, como os Salmos, onde são mencionados harpas, pratos e outros instrumentos. A música no templo de Salomão, em Jerusalém, no século X a.C., provavelmente incluía trompetes e canto coral no acompanhamento de instrumentos de corda.

China - Os antigos chineses acreditavam que a música possuía poderes mágicos, achavam que ela refletia a ordem do universo. A música chinesa usava uma escala pentatônica (de cinco sons), e soava mais ou menos como as cinco teclas pretas do piano. Os músicos chineses tocavam cítara, várias espécies de flauta e instrumentos de percussão.

Índia - As tradições musicais da Índia remontam ao século XIII a.C.. O povo acreditava que a música estava diretamente ligada ao processo fundamental da vida humana. Na Antigüidade, criaram música religiosa e por volta do século IV a.C. elaboraram teorias musicais. Os músicos tocavam instrumentos de sopro, cordas e percussão. A música indiana era baseada num sistema de tons e semitons; em vez de empregar notas, os compositores seguiam uma complicada série de fórmulas chamadas ragas. As ragas permitiam a escolha entre certas notas, mas exigiam a omissão de outras.

Grécia - Os gregos usavam as letras do alfabeto para representar notas musicais. Agrupavam essas notas em tetracordes (sucessão de quatro sons). Combinando esses tetracordes de várias maneiras, os gregos criaram grupos de notas chamados modos. Os modos foram os predecessores das escalas diatônicas maiores e menores. Os pensadores gregos construíram teorias musicais mais elaboradas do que qualquer outro povo da Antigüidade. Pitágoras, um grego que viveu no século VI a.C., achava que a Música e a Matemática poderiam fornecer a chave para os segredos do mundo. Acreditava que os planetas produziam diferentes tonalidades harmônicas e que o próprio universo cantava. Essa crença demonstra a importância da música no culto grego, assim como na dança e nas tragédias.

Roma - Os romanos copiaram teorias musicais e técnicas de execução dos gregos, mas também inventaram instrumentos novos como o trompete reto, a que chamavam de tuba. Usavam freqüentemente o hydraulis, o primeiro órgão de tubos; o fluxo constante de ar nos tubos era mantido por meio de pressão de água.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

MÚSICA GREGA - GREEK MUSIC

Grega, música

Os antigos gregos criaram uma música clássica cuja teoria influenciou o resto do mundo de forma ampla e duradoura e que deu origem às estruturas atuais da música ocidental, embora nada tenha restado da prática musical daquele povo e apenas alguns poucos instrumentos tenham sobrevivido. Na Grécia antiga a música esteve sempre ligada à vida do povo e infiltrou-se profundamente em suas atividades profanas e religiosas, coletivas e particulares. São poucos os restos de obras conservados da antiguidade grega, não se sabe decifrá-los com segurança e os processos de execução musical se perderam. Sabe-se com certeza apenas que se trata de uma cultura musical totalmente diferente da atual.

Graças às pesquisas da escola de Delfos, exemplos dessa música nos três gêneros melódicos -- diatônico, cromático e enarmônico -- foram descobertos e transcritos em notação moderna. São eles: um fragmento do gênero enarmônico e um coro da tragédia Orestes, de Eurípides (408 a.C.); dois hinos délficos a Apolo, (c. 130 a.C.); dois prelúdios para cítara à Musa, (início da era cristã); um fragmento do epitáfio de Sicilo, (século I); os hinos ao Sol e a Nêmesis, (século II); e alguns fragmentos vocais e instrumentais, (c. 160). A autenticidade do fragmento do início da primeira ode pítica de Píndaro é discutível. Na época de Homero (séculos VIII - IX a.C.), período arcaico da civilização grega, a música era simples e praticada pelos rapsodos, que cantavam temas lendários, acompanhando-se com a lira de quatro cordas. Durante os séculos seguintes, a música tornou-se mais complexa e surgiram os nomos, inicialmente melodias-tipo, inalteráveis, e mais tarde composições vocais com instrumentos acompanhantes, que obedeciam a regras de construção já bastante precisas. Os nomos eram designados pelo deus que celebravam -- nomo pítico (Apolo), ditirambo (Dioniso) -- ou pela ocasião social em que eram obrigatoriamente executados -- o peã, hino a Apolo, canto de combate, de vitória e ação de graças; o treno fúnebre; o himeneu nupcial, em forma de marcha. O período áureo da música grega antiga é representado por Pitágoras (século VI a.C.). A teoria pitagórica, emanada provavelmente dos egípcios, é modelo de experimentação científica, de onde se extraem normas teóricas. Certas considerações de ordem físico-matemática fundamentam o sistema musical grego.

A base da teoria musical grega era o intervalo de quarta justa, dividido de diferentes maneiras para formar tetracordes, estruturas elementares de quatro sons descendentes, ou seja, dirigidos do agudo para o grave. Neles, as notas separavam-se uma da outra por semitons ou por tons inteiros, e também por quartos de tom e outros intervalos microtonais inexistentes nas principais escalas utilizadas atualmente no Ocidente. Ao reunir dois tetracordes consecutivos, os gregos obtiveram um sistema mais complexo, que chamaram de escalas ou modos, sempre descendentes. A oitava não é a medida característica do modo, como sucedeu em culturas posteriores. Uma escala de três oitavas, construída por encadeamento de tetracordes diferentes, abrangia o registro geral das vozes masculinas e femininas.

Os gregos empregavam quatro modos primordiais, sem alterações. O principal era o dórico, que se tornou o modo padrão, solene e grandioso, com função nacional. Havia também as harmonias bárbaras, importadas e assimiladas pelos gregos, vindas da Anatólia e do Oriente. Eram os modos frígio e lídio. Ainda surgiu um quarto modo principal, o mixolídio. A música da antiguidade helênica faz derivar sua riqueza e sutileza rítmica de um sistema diametralmente oposto ao atual -- em que os tempos se constituem pela subdivisão de valores --, enquanto os tempos gregos nascem da soma ou da multiplicação de unidades rítmicas, segundo esquemas variáveis. A notação musical grega era alfabética e bastante desenvolvida porque representava, além dos sons, o tipo de música, vocal ou instrumental, e os três gêneros. A duração das notas era indicada por sinais colocados por cima das letras. Os primeiros cristãos usaram a escala grega e Bizâncio adotou os modos. Os romanos difundiram a teoria musical helênica por toda a Europa, mas os grandes herdeiros da cultura musical grega foram os persas, árabes e turcos. A música grega moderna não tem origem na arte musical da Grécia antiga, mas na música bizantina. Esta, por sua vez, baseava-se no canto sinagogal hebraico e na música litúrgica síria. Outra fonte da música grega moderna é o rico folclore musical, parte de origem islâmica e parte de origem balcânico-eslava.

Sábado, 1 de Março de 2008

ÂNGELA MARIA - TRABALHOS


Ângela Maria (1928-)
Sucessos de Ontem na Voz de Hoje (1956)
Quando os Maestros Se Encontram* (1957)
Para Você Ouvir e Dançar (1958)
Ângela Maria Canta Para o Mundo* (1962)
Ângela de Todos os Temas (1970)
Ângela e Timóteo, Juntos (1979, com Agnaldo Timóteo)
Ângela & Cauby* (1982)
Pela Saudade Que Me Invade – Um Tributo a Dalva de Oliveira* (1997)
Ângela e Agnaldo Sucesso Sempre!* (1999)
Ângela Maria – Disco de Ouro (2003)*


ALCEU VALENÇA - TRABALHOS


Alceu Valença (1946-)
Alceu Valença e Geraldo Azevedo (1972)
Espelho Cristalino* (1977)
Coração Bobo (1980)
Cavalo de Pau* (1982)
7 Desejos* (1991)
O Grande Encontro* (1996, com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho)
Sol e Chuva* (1997)
Forró de Todos os Tempos* (1998)
De Janeiro a Janeiro* (2002)
DVD: Ao Vivo em Todos os Sentidos* (2003)

Sábado, 12 de Janeiro de 2008

MÚSICA ERUDITA

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

AXÉ MUSIC

Estilo musical que surge em Salvador, na Bahia, na segunda metade da década de 1980. Caracteriza-se pelo uso intenso da percussão e pela utilização predominante de instrumentos, como o repique, timbau e surdos. Próprias da cultura afro-baiana, as letras em geral abordam temas relativos à sensualidade, com certa ironia e malícia. Outras dizem respeito à rica religiosidade da população local e às tradições negras. É comum a presença de bailarinas sensuais, uma clara influência dos antigos sambas-de-roda do interior baiano.

O termo axé music é criado em 1987 pelo jornalista baiano Hagamenon Brito, que trabalhava no jornal A Tarde, na tentativa de cunhar uma expressão pejorativa para designar o estilo nascente. Ela é rapidamente incorporada pela mídia, tornando-se uma designação de referência nacional para esse tipo de música. No início, os músicos baianos renegam o nome, mas posteriormente acabam por aceitá-lo.

No começo dos anos 80, o grupo Olodum e o músico Luiz Caldas estabelecem as bases do estilo, ao juntar elementos do Carnaval, da música caribenha e muita percussão. A partir do samba-reggae e do samba-duro, típicos de Salvador, diluem a estética afro por meio da introdução de elementos da música pop. Também é fundamental nesse processo a batida criada por Neguinho do Samba. Os trios elétricos, inventados nos anos 50 por Dodô e Osmar, são também influências essenciais. Posteriormente, os grupos de axé music passam a incorporar novos instrumentos, como guitarra, baixo, bateria e teclados.

A música que inaugura o gênero é Fricote, de Luiz Caldas, em 1985. No ano seguinte, a canção Eu Sou Negão, de Jerônimo, faz muito sucesso. Mas o primeiro grande fenômeno de vendas, que lança nacionalmente a axé music, é Madagascar Olodum, do bloco afro Reflexu’s, gravada em 1987. Do mesmo ano é Vem Faraó, que lança o grupo Olodum internacionalmente. Entre os maiores expoentes do estilo estão É O Tchan, Terra Samba, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Bamdamel, Netinho, Gera Samba, Banda Eva, Timbalada, Banda Beijo e Ara Ketu.

Com o surgimento da axé music, a música de Salvador quebra definitivamente a hegemonia histórica do eixo Rio-São Paulo, ao estabelecer outra vertente geográfica de expressão nacional. O gênero torna-se influente, diversificado e com enorme apelo popular. Os músicos percebem rapidamente o potencial do novo estilo e passam a investir numa poderosa infra-estrutura de criação, recebendo logo a aprovação de grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânea, Gal Costa e Carlinhos Brown. A inserção musical nacional da axé music é assim oficializada.

Agosto é o mês no qual os artistas mais importantes do movimento lançam seu trabalho para que esteja conhecido no Carnaval do ano seguinte. O pico de vendas ocorre depois dessa festa, quando os turistas – principalmente paulistas e cariocas – voltam a sua cidade e compram os CDs. Nos primeiros anos do século XXI, o gênero começa a declinar e diminui rapidamente sua participação no mercado fonográfico. Sintomaticamente, a cantora Daniela Mercury sobe pela primeira vez em um trio elétrico acompanhada de um DJ de música tecno, no Carnaval de 2000.



BLUES MUSIC

Gênero da música popular norte-americana criado por escravos negros que trabalhavam nas plantações do sul dos Estados Unidos (EUA) em meados do século XIX. Caracteriza-se pela improvisação musical, pelo modo incomum de seleção das notas musicais (é tocado no semitom, chamado blue mode) e pelo uso das inflexões menores que o intervalo de um semitom, conhecidas como blue notes, recurso típico da música africana e que dá ao gênero um caráter melancólico e intenso. Enquanto trabalhavam, escravos e ex-escravos cantavam canções sobre o trabalho, com letras repletas de ironia sobre a terra, a vida e os amores diários. O blues ajudava a aliviar as tensões do dia-a-dia.

O blues nasce como gênero musical simples, acessível a instrumentistas e cantores sem conhecimento formal de música. No fim do século XIX, com o término da escravidão, os cantores de blues são itinerantes que acompanhavam a si mesmos no violão. Freqüentemente eram gravados por talentosos pré-empresários. Genuína música folk americana, o blues tem seu desenvolvimento completo depois de 1900. Possibilita o nascimento do jazz no começo do século XX e exerce grande influência em toda a música pop.

O primeiro blues, Crazy Blues, é gravado em 1920 por Mammie Smith. Outras gravações pioneiras são feitas por Leadbelly (1889-1949), Robert Johnson (?-1938), Blind Lemon Jefferson (1897-1929) e Jelly Roll Morton (1890-1941). Também se destacam nomes como Charley Patton (1887-1934), Son House (1902-?), Bukka White (1906-1977) e Tommy Johnson (1896-1956). Muitos deles, décadas depois de mortos, influenciaram decisivamente a música pop do pós-guerra graças aos discos que deixaram gravados.

A I Guerra Mundial, a crise de 1929 e a migração dos negros ajudam a propagar o blues. No começo dos anos 30, a banda de Count Basie e outros artistas de Kansas City introduzem fortes elementos de blues nas big bands de jazz, na "swing era". Isso permitiu que o bop ganhasse acentuadas características de blues. Estimulado pela nascente indústria fonográfica, ele floresce em Chicago, Atlanta, Mississippi e Detroit e passa a tratar de temas urbanos. Os race records, discos produzidos para a comunidade negra, popularizam Bessie Smith (1894-1937), Ma Rainey (1886-1939) e Billie Holiday.

Em 1940, o boogie woogie —blues instrumental tocado no piano – faz do gênero uma música dançante, representada por pianistas e compositores, como Memphis Slim e Rooselvelt Sykes. Guitarristas-cantores e compositores como John Lee Hooker e Lightnin’ Hopkins ganham importância. Ainda no início dos anos 1940, desenvolve-se informalmente um novo gênero do blues – o rhythm’n’blues, de ritmo mais forte e dançante, precursor do rock’n’roll dos anos 1950. Esse blues urbano utiliza microfones e guitarras elétricas para ser ouvido nos barulhentos bares noturnos. Chicago é um dos maiores centros do gênero, com nomes como Muddy Waters, Willie Dixon, Little Walter, Otis Rush, Howlin’ Wolf e Otis Spann, todos inspirados pelos músicos da década de 1920.

No princípio dos anos 1950, músicos brancos, como Paul Batterfield, John Kerner, John Hammond e Dave Van Ronk, ganham destaque. B.B. King, que começara a se apresentar nos anos 1940, numa emissora de rádio de Memphis, torna-se um dos expoentes da época, assim como Albert King e Freddie King. Depois de assimilado pelos primeiros roqueiros, o blues americano apresenta mais uma geração de músicos, como Junior Wells, Buddy Guy, Jimmy Dawkins e Hound Dog Taylor.

Na década de 1960, a nova geração de cantores e bandas de rock tomam o rhythm’n’blues como influência maior. Na Inglaterra surgem nomes importantes, como Rolling Stones e John Mayall e sua banda BluesBreakers. No começo dos anos 1970, o blues é retrabalhado por grupos de Heavy Metal. Em contrapartida, nos anos 80, o texano Albert Collins, a cantora Koko Taylor, Johnny Copeland e Robert Cray apresentam-se como resgatadores do gênero. Entre os cantores brancos, os principais são Johnny Winter, Roy Buchanan e Steve Ray Vaughan. Nos anos 1990 e início do século XXI, o blues apresenta raras novidades, como Gov’t Mule, Kelly Joe Phelps e as inovações introduzidas por R.L.Burnside.

Blues Music no Brasil – O rock dos anos 1960 e 1970 absorve o blues por intermédio do rhythm’n’blues, em trabalhos como o do grupo Made in Brazil e de Raul Seixas. O Brasil não se caracteriza por um forte cenário ou movimento de blues, apesar de o gênero ter um bom público. A partir dos anos 80, os maiores nomes são Nuno Mindelis, André Christovam, Celso Blues Boy e as bandas Blues Etílicos e Big Allanbik.



BOSSA NOVA BRAZILIAN MUSIC

Movimento da música popular brasileira que surge no fim dos anos 50, com João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e jovens cantores e compositores de classe média da Zona Sul carioca. Caracteriza-se por uma maior integração entre melodia, harmonia e ritmo, pelas letras mais elaboradas e ligadas ao cotidiano, pela valorização da pausa e do silêncio e pela maneira de cantar, mais despojada e intimista que o estilo que vigorava até então. Inicia-se com o lançamento, em 1958, do LP Canção do Amor Demais, gravado por Elizeth Cardoso, com músicas de Tom Jobim e letras de Vinicius de Moraes. O acompanhamento de duas faixas – Chega de Saudade e Outra Vez – é feito pelo violão de João Gilberto, que introduz uma nova batida, identificada mais tarde com a bossa nova.

No começo da década de 1950, o jazz influencia cantores brasileiros, como Dick Farney (1921-1987), Lúcio Alves (1927-1993) e Johnny Alf (1929-), os precursores da bossa nova. Eles são acompanhados por jovens da Zona Sul do Rio de Janeiro, como Carlos Lyra (1933-), Roberto Menescal (1937-), Nara Leão (1942-1989) e Ronaldo Bôscoli (1929-1994), que passam a se reunir para tocar violão e cantar músicas próprias e de outros compositores. Inspiradas pela linguagem informal e pela temática cotidiana do samba, as letras simples e coloquiais da bossa nova freqüentemente retratam o universo desses jovens urbanos, como em Corcovado e Garota de Ipanema.

Um show no Rio de Janeiro, em 1958, inaugura as apresentações públicas da bossa nova. A expressão, que já era usada para denominar o novo estilo, surge em Desafinado, gravada por João Gilberto. Em 1962, o Festival de Bossa Nova realizado no Carnegie Hall, em Nova York, Estados Unidos, dá projeção internacional ao movimento. A partir de 1963, alguns de seus iniciadores, como Nara Leão e Carlos Lyra, abandonam a temática original e voltam-se para as raízes do samba de morro e para a música nordestina.

Desde então, a bossa nova dialoga com as outras vertentes da música brasileira, em trabalhos de cantoras pop, como Rita Lee, e até na surpreendente "bossa-novização" de uma composição do roqueiro Lobão (1957-) ("Me Chama") por João Gilberto, que é considerado grande influência por tropicalistas (como Caetano e Gil) e pós-tropicalistas (como os Novos Baianos). Egresso da bossa nova, mas com um estilo mais pop, o compositor, pianista e cantor Marcos Valle (1943-), que fez muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970, vê na virada do século seu trabalho ser redescoberto em países como Japão e Inglaterra. Esses mesmos países também acolhem com entusiasmo a bossa nova contemporânea da cantora Joyce (1948-), que despontou na década de 80. O nome mais recente nessa renovação é o da cantora Fernanda Porto (1968-), que funde bossa nova à música eletrônica.



Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

CHORO

Gênero da música popular brasileira que surge no fim do século XIX, no Rio de Janeiro. Inicialmente não é considerado estilo musical, mas uma forma abrasileirada com que músicos da época tocam ritmos estrangeiros, como polca, tango e valsa. Eles utilizam, entre outros instrumentos, violão, flauta, cavaquinho, bandolim e clarineta, que dão à música um aspecto sentimental, melancólico e choroso. O termo choro passa, então, a denominar o estilo. Influenciado por ritmos africanos, como o batuque e o lundu, sua principal característica é a improvisação instrumental, especialmente com violão e cavaquinho. A função de cada instrumento na música varia de acordo com o virtuosismo dos componentes do conjunto, que podem assumir o papel de solo, contraponto ou as duas coisas alternadamente.

A partir de 1880, com a proliferação dos conjuntos de pau e corda, formados por dois violões de cordas de aço, flauta e cavaquinho, o estilo populariza-se nos salões de dança e nas festas da periferia carioca. Um dos primeiros chorões – nome dado aos integrantes desses conjuntos – é o flautista Joaquim Antônio da Silva Calado (1848-1880). Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga criam as primeiras composições que firmam o choro como gênero musical com características próprias.

Chorinho – No início do século XX, o choro deixa de ser apenas instrumental e passa a ser cantado. Aproxima-se do maxixe e do samba e adquire um ritmo mais rápido, agitado e alegre, além de maior capacidade de improvisação. Surge o chorinho ou samba-choro, também conhecido como terno, por causa da delicadeza e da sutileza de sua melodia.

A partir da década de 1930, impulsionado pelo rádio e pelo investimento das gravadoras de disco, o choro torna-se sucesso nacional. Uma nova geração de chorões organiza-se em conjuntos chamados regionais e introduz a percussão nas composições. Nos anos seguintes surgem vários músicos, como Canhoto (1908-) e seu regional, que tinha como integrante Altamiro Carrilho (1924-); conjunto Época de Ouro; Luperce Miranda (1904-1977); Zequinha de Abreu, autor de Tico-Tico no Fubá; Jacó do Bandolim (1918-1969); e Nelson Cavaquinho.

O principal nome do período é Pixinguinha, autor de mais de uma centena de choros e um dos mais importantes compositores da música popular brasileira. Em 1928 cria Carinhoso, que recebe letra de João de Barro, o Braguinha, em 1937. Também se destaca Valdir Azevedo (1923-1980), autor de Brasileirinho (1947), o maior sucesso da história do gênero, gravado por Carmen Miranda e, mais tarde, por músicos de todo o mundo.

O choro também aparece na música erudita. Um exemplo é a série Choros, do maestro Heitor Villa-Lobos. Na década de 1950 começa a perder sua popularidade em razão do surgimento das grandes orquestras, inspiradas nas jazz bands norte-americanas. Mas mantém-se presente na produção de vários artistas da MPB, como Paulinho da Viola, Guinga (1950-) e Arthur Moreira Lima (1940-). É redescoberto na década de 70, quando são criados os Clubes do Choro, que revelam novos conjuntos de todo o país, e os festivais nacionais. Em meados dos anos 1990 é fortalecido por grupos que se dedicam a sua modernização e divulgação, por meio do lançamento de CDs e da publicação de uma revista especializada.



FUNK

Gênero musical derivado do rhythm and blues e do pós-bop jazz moderno, de batida mais vigorosa e dançante, cujo apogeu se dá na década de 1970. Utiliza modernas harmonias e concentra-se no suingue e nos elementos da soul music. Sua vocação de música para dançar está no próprio nome. No inglês coloquial, funk significa forte odor, particularmente sexual, que pode ser associado ao suor de quem dança com entusiasmo. Instrumentos como contrabaixo, metais e bateria destacam-se nos arranjos. As letras trocam o tom romântico do blues e do rhythm and blues por um estilo mais agressivo e socialmente engajado. Faz parte do conjunto de gêneros musicais rotulados como música negra (black music), com o jazz, o soul e o blues.

A transição entre a soul music tradicional e o funk se dá nos Estados Unidos (EUA), nos anos 1960, com a gravadora Motown, que lança os principais nomes da música negra americana, como Steve Wonder, Marvin Gaye, Smokey Robinson, Supremes, Temptations e Four Tops, simultaneamente ao surgimento dos movimentos políticos de afirmação negra. James Brown é considerado o pai da funk music ao lançar, no início dos anos 1960, o sucesso Make it Funky, seguido de perto por Sly & the Family Stone. No início dos anos 1970, as trilhas do cinema de ação negro (conhecido como blaxploitation) tornam-se um veículo para outros nomes do gênero, como Isaac Hayes, Curtis Mayfield e Roy Ayers. Até grandes músicos do jazz, como Miles Davis e Herbie Hancock, são então influenciados por esse estilo comunicativo e vibrante.

No começo dos anos 1970, o uso de sintetizadores e grupos como Chic e Earth Wind & Fire dão nova força ao funk e possibilitam o aparecimento da disco music no decorrer da década. Fortemente baseada no funk, mas substituindo o discurso social pelo hedonismo, ela surge entre os negros e gays, com elementos de black pop, e vira moda nas danceterias. Alguns dos principais nomes da disco music são Donna Summer, Jimmy "Bo" Horn, Kool and the Gang, Trammps, Rose Royce e o alemão Giorgio Moroder.

Ainda na década de 1970, George Clinton e seus grupos Parliament e Funkadelic recriam o funk em suas bases de rhythm and blues mais originais, brutas e enérgicas, apontando novos caminhos. A partir de então, o gênero adquire um sentido mais amplo – como dança pop negra ou até mesmo jazz-funky. Em 1982, o pop-funk Thriller, de Michael Jackson, vende 40 milhões de cópias, um recorde. O polêmico Prince é o outro grande artista negro do período. Ao longo dos anos 1980, o funk assume formas diferentes: uma se soma ao rock, especialmente no trabalho de grupos brancos, como o Red Hot Chilli Peppers; outra se recicla no recém-criado gênero militante chamado rap, com Afrika Bambaata, Grandmaster Flash, Whodini, Erik B & Rakim, Run-DMC, Ice T e outros. O funk inaugura um estilo de vida: o jeito de se vestir, de andar, de dançar e uma forma solta de tocar música.

Funk no Brasil – Populariza-se nos subúrbios do Rio de Janeiro a partir do final dos anos 1970, destacando-se no soul-funk brasileiro os músicos cariocas (ou radicados no Rio) Tim Maia, Gerson King Combo, Banda Black Rio, Hyldon, Cassiano, Toni Tornado, Carlos Dafé, União Black, Azymuth, Sandra de Sá, Claudio Zolli e, mais recentemente, Ed Motta. Em São Paulo, o cantor e compositor Skowa e os grupos Funk Como Le Gusta e Zomba, da cantora Paula Lima, retomaram o gênero nos anos 1980 e 1990.Ainda nos subúrbios cariocas, o nome funk ressurgiu com força no fim da década de 1990 para designar as vertentes menos politizadas do hip hop: o funk melody, com batida mais rápida, e o charme, mais lento e romântico. Os "bailes funk" de fins de semana reúnem milhares de pessoas em galpões da periferia da cidade.



JAZZ MUSIC

Música popular surgida em Nova Orleans, Estados Unidos, por volta de 1900, criada por músicos negros. Caracteriza-se pela improvisação constante, pela forte marcação rítmica e pelo uso freqüente da síncope e da polifonia, que podem tratar a variação de um tema ou evoluções de melodias totalmente novas. As primeiras estruturas do jazz são semelhantes às do blues, como as blue notes (notas médias não encontradas na escala diatônica, que troca a terceira e a sétima nota da escala). Em suas raízes está a fusão de ritmos trazidos pelos africanos com a música européia dos séculos XVIII e XIX.Trata-se de uma atitude inédita, que não compreende a música apenas como atividade social. O músico é o compositor e o próprio intérprete. Inicialmente, a palavra jazz era também conhecida como "jass", atribuída ao francês jaser, que significa falar, tagarelar. É publicada como sinônimo de dança em 1909. Em 1913, os músicos do exército norte-americano tocavam jazz e ragtime, o último elemento a compor o jazz.

Até o começo dos anos 1920, o jazz enfrenta resistência devido ao racismo – grandes músicos negros não obtêm reconhecimento. Apesar dos excelentes músicos brancos de jazz, italianos e judeus, os inovadores são os negros, e Nova Orleans constitui-se no principal centro. A acelerada migração leva muitos artistas a outras partes: Mississippi, Chicago e depois Nova York. Surgem pioneiros como o pianista Tony Jackson, o cornetista Buddy Bolden, Freddie Keppard, Jelly Roll Morton, Alan Philip e Kid Thomas Valentine.

Nos anos 1920, o trompetista de Nova Orleans Louis Armstrong (1900-1971) envolve-se com diversas formações de bandas de jazz e inaugura a série Hot Fives e Hot Sevens em gravações elétricas. É ele que permite a solistas maior liberdade em relação às estritas regras clássicas do estilo. Armstrong torna-se o primeiro e um dos maiores solistas da história do jazz. Seus discos abrem novos caminhos para a música norte-americana, com um estilo que alterna tensão e descontração. Outro nome do período é o pianista e compositor Duke Ellington (1899-1974), responsável pelas composições de jazz para grandes grupos de músicos e introdutor da era das big bands. Benny Goodman (1909-1986) o sucede em 1935. Durante os 15 anos seguintes – seu período de maior sucesso –, o jazz domina totalmente a música popular americana. Bandas como as de Count Basie, Stuff Smith, Harry Edison, Jimmy Blanton, Charlie Christian e McKinney’s Cotton Pickers exibem-se em todo o país.

Nesse período ocorrem muitas inovações. O bandleader e pianista Count Basie (1904-1984) reintroduz o blues no jazz, o que traz ao gênero um novo impulso. Com Ben Webster, Coleman Hawkins adota o saxofone tenor como instrumento de jazz. O saxofonista Lester Young (1909-1959) apresenta a alternativa de tocar mais alto e mais leve. Billie Holiday é considerada a maior cantora de jazz, seguida por Ella Fitzgerald. Com o fim das big bands, outra geração de músicos desponta nas jam sessions do bebop (estilo que apresenta tempos mais rápidos e frases mais longas e complexas): Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan, Thelonious Monk, Kenny Clarke, Max Roach e Bud Powell.

Nos anos 1940, começa o bebop, malsucedido comercialmente apesar da popularidade de Dizzy Gillespie. O bop é improvisado nas cordas em vez de na melodia e cria novas tonalidades da estrutura dos standards, alterando cordas em longos intervalos e usando uma alta gama de notas – quase como na música clássica. Nos anos 50, o jazz registra uma das mais baixas popularidades de toda a sua história. Nessa época ganha destaque o pianista e compositor branco Dave Brubeck (1920-), de grande sucesso comercial. Outros nomes também se firmam: Gerry Mulligan, Chet Baker, Lee Konitz e Stan Getz. A gravadora Blue Note e outros selos ajudam a projetar talentos como Sonny Rollins, Dexter Gordon, Art Blakey e Gil Evans. O inventivo contrabaixista Charlie Mingus (1922-1977) influencia vários músicos e bandas, como Eric Dolphy.

Na metade da década de 1950, surge o Miles Davis’s Quintet. Miles fica conhecido como símbolo do hard bop, que enfatiza as raízes africanas do jazz. O místico e visionário saxofonista John Coltrane (1926-1967), descoberto por Miles, desenvolve o modalismo no jazz, em que o fator integrador passa a ser a escala modal, e não mais a sucessão de acordes. Nessa linhagem, nos anos 1960, o saxofonista Ornette Coleman (1930-) introduz o free jazz, radicalizando nas mudanças imprevisíveis de tom. Outro destaque do free será o trumpetista Don Cherry (1936-1995). Músicos da Blue Note apresentam influência funk no jazz e acabam originando o termo jazz-funk. Em seguida surge a fusion music, que une jazz, rock e ritmos latino-americanos. Encantado com o rock de Jimi Hendrix e o funk de Sly Stone, Miles Davis adere entusiasticamente a essa fusão e lança em seus grupos os nomes que nela se destacariam, ao longo dos anos 70: Herbie Hancock (fundador dos Headhunters), Joe Zawinul (do Weather Report), Tony Williams (do Lifetime), John McLaughlin (da Mahavishnu Orchestra). Outros nomes importantes do período são Chick Corea e Keith Jarrett, que também agregam a essas influências o piano erudito.

Nos anos 1980, a veia do jazz-fusion parece já esgotada. Em meados da década, o músico Sting, ex-Police, "rouba" a banda de Miles Davis para um novo híbrido com a música pop. Ao mesmo tempo surge o acid jazz, com a recuperação de alguns elementos tradicionais do jazz (sonoridades acústicas, solos) combinada com samples e loops eletrônicos, cujos expoentes são US3 e Guru’s Jazzmatazz, além do disco póstumo de Miles, Doo-Bop. Apesar do enfoque pop, o James Taylor Quartet e o trio Medeski, Martin & Wood nem sequer usam esses elementos eletrônicos, recuperando apenas o chamado hammond jazz (baseado nos timbres do órgão Hammond) que Jimmy Smith tocava nos anos 1960-1970. O acid jazz também resgata muitos veteranos inventivos: Donald Byrd, Roy Ayers, Pharoah Sanders. Outro que se destaca nas experiências jazz-eletrônicas é o prolífico baixista e produtor Bill Laswell.

Contra o espírito de reciclagem, o principal jazzista do final do século, o trompetista Wynton Marsalis faz de sua música um manifesto de purismo, aceitando apenas o flerte "sóbrio" do jazz com a música erudita. Curiosamente, seus irmãos igualmente virtuoses, o saxofonista Branford e o trombonista Delfeayo, destacam-se na trincheira oposta, a do acid jazz. Nos últimos anos, apesar de um relativo marasmo estilístico, o jazz continua sendo um dos gêneros mais sólidos entre músicos de todos os estilos e países. Além da Blue Note, faz sucesso a gravadora Verve. Seus nomes de mais sucesso são Jackie McLean, Joe Henderson, Joshua Redman, Charlie Hunter Trio, Dianne Reeves, Wallace Roney, Ron Carter etc. Tem destaque ainda o jazz latino de Tito Puentes, Arturo Sandoval e Paquito d’Rivera. As cantoras representam sempre um foco de carisma, com destaques como Dianne Reeves, Diane Schur, Dianna Krall e Cassandra Wilson.

Introdução do Jazz no Brasil – O jazz influencia a música brasileira a partir dos anos 1950 com o surgimento da bossa nova – uma mistura de elementos do jazz com samba. Do jazz, a bossa nova importa os improvisos ao piano, violão e saxofone e uma estrutura melódica e harmônica sofisticada, além da interpretação sincopada. Considerada o cool jazz brasileiro, a bossa nova é fortemente incorporada à cultura norte-americana nos anos 1960 por intermédio de músicos como Stan Getz, João Gilberto, Astrud Gilberto e Tom Jobim. Grandes nomes do jazz gravam bossa nova: Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Joe Henderson. Depois da bossa nova, muitos músicos brasileiros incorporam o jazz em suas músicas. Entre os músicos que se dedicam a dar um formato brasileiro ao jazz tradicional, estão o saxofonista Paulo Moura, a pianista Eliane Elias, a cantora Flora Purim e seu marido, o percussionista Airto Moreira, César Camargo Mariano, Victor Assis Brasil, Naná Vasconcelos, André Geraissati e Zimbo Trio. O Brasil tem pelo menos dois gênios reconhecidos no jazz mundial: o criativo e irreverente multiinstrumentista alagoano Hermeto Pascoal e o violonista e pianista fluminense Egberto Gismonti, que se fixou num selo (o alemão ECM) e num estilo mais sóbrio. No auge do jazz fusion, nos anos 1970, destacaram-se nos EUA também o grupo Azymuth e o trombonista Raul de Souza.



JOVEM GUARDA

Movimento musical surgido no Brasil nos anos 60. É uma variação suave do rock, batizada no país de iê-iê-iê, com letras românticas e descontraídas, dirigidas ao público adolescente. A expressão começa a ser usada com a estréia do programa de auditório dominical Jovem Guarda, na TV Record, em 1965. Comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos (1941-) e Wanderléa (1946-), apresenta ao público os principais artistas ligados ao movimento. O nome, segundo integrantes do grupo, surge em oposição à velha-guarda, termo usado para referir-se aos cantores que precederam a chegada do rock ao Brasil. O programa torna-se popular e impulsiona o lançamento de grifes de roupas e acessórios, como a Calhambeque, título de um dos grandes sucessos da jovem-guarda. Os precursores do gênero são cantores e compositores que, influenciados pelo rock norte-americano dos anos 1950, tentam reproduzir o ritmo com letras em português ou cantando no original. Destacam-se Ronnie Cord (1943-1986), consagrado com Rua Augusta, e Celly Campelo (1942-2003), com Estúpido Cupido. Outros expoentes da jovem-guarda são Jerry Adriani (1947-), Wanderley Cardoso (1945-), Martinha (1948-), Ronnie Von (1944-), Silvinha (1951-), Eduardo Araújo (1942-) e as bandas Renato e Seus Blue Caps, The Fevers e Os Incríveis. Entre os principais sucessos estão Festa de Arromba, Prova de Fogo, Garota Papo Firme, Parei na Contramão e É Proibido Fumar. Criticado por fazer músicas alienadas, desligadas da realidade social e política do país, o movimento perde popularidade no início da década de 1970 com o avanço do rock pesado. A partir dos anos 1990, regravações da jovem-guarda por grupos de rock, como os Titãs, fazem sucesso entre os adolescentes.



ELETRONIC MUSIC

O termo música eletrônica surgiu para definir a música criada com sons produzidos em laboratórios por aparelhos geradores de freqüência, depois manipulados e gravados em fita magnética. Surge no início da década de 1950 e explora os recursos oferecidos pela evolução da eletrônica, associados com os métodos de composição do serialismo. A partir de 1958, os artistas que associam instrumentos acústicos e eletrônicos dão origem à música chamada eletroacústica. Essa interação se sofistica com os recursos da informática. Apesar do nome música eletrônica, não há relação entre esse tipo de composição e a música executada com instrumentos criados e popularizados pela indústria eletrônica, como a guitarra elétrica. Enquanto a música concreta utiliza sons ambientais depois reelaborados em estúdio, a eletrônica só trabalha com sons sintetizados em laboratório. A maioria das composições é gravada e dispensa intérprete.

As primeiras apresentações acontecem em 1954, na rádio de Colônia, na Alemanha. Studien 1 e 2 e Canto dos Adolescentes, de Karlheinz Stockhausen, e Glockenspiel, de Herbert Eimert (1897-1972), são algumas obras pioneiras. Posteriormente, estúdios que gravam música eletrônica se espalham por países como Itália, Bélgica, Japão, Estados Unidos (EUA) e França. Em meados da década de 1960, a multiplicação e o aperfeiçoamento do gênero permitem começar a fazer dos equipamentos eletrônicos a base da música pop.

Surge o moog sintetizador, um marco da produção da música pop eletrônica, pioneiramente utilizado pelo duo Jean-Jacques Perrey-Gershon Kingsley na adaptação e criação de música popular sintetizada. O compositor e instrumentista Walter Carlos produz a trilha sonora do filme Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, basicamente com o moog sintetizador. O tecladista Keith Emerson, do grupo Emerson, Lake & Palmer, o explora bastante e obtém dele efeitos interessantes, influenciando toda a cena do rock progressivo. Instigados por Miles Davis, alguns pianistas do jazz, como Joe Zawinul, Herbie Hancock e Lonnie Liston Smith, seguidos depois por Jan Hammer, exploram o piano elétrico e finalmente os sintetizadores,moldando assim a cena do jazz-fusion.

Ainda na década de 1970, os músicos, por vezes, usam elementos eletrônicos apenas como detalhe de arranjos – Robert Plant, do Led Zeppelin, utiliza um teremim (o "avô dos sintetizadores", criado pelo celista e engenheiro russo Lev Theremin em 1917) em concertos. Muitos músicos do rock e do jazz passam a transformar os sons de seus instrumentos, inclusive os de sopro, com variados "pedais" de processamento, a partir do território desbravado por Jimi Hendrix. Um dos principais expoente do gênero, o grupo alemão Kraftwerk, é o primeiro, no início dos anos 1970, a estabelecer as bases de uma cena pop exclusivamente eletrônica. Os próximos nomes a se destacarem nas pesquisas eletrônicas são os de Brian Eno (que já tocava os primeiros sintetizadores de linha na banda Roxy Music), Holger Czukay (ex-Can), Cabaret Voltaire, Throbbing Gristle, Thomas Dolby e os japoneses da Yellow Magic Orchestra.

No começo dos anos 1980, com o avanço da tecnologia digital, da fita DAT de gravação, da popularização do microcomputador doméstico e de estúdio, e de vários programas específicos para a programação e gravação, praticamente qualquer pessoa pode produzir música eletrônica em casa – e de excelente qualidade. Também um aspecto da produção recente da música eletrônica, os samples são amostras de sons aleatórios justapostos eletronicamente a outros panoramas musicais. Com o sample, torna-se possível colar, ou seja, copiar diversos tipos de som, inclusive os acústicos, e repeti-los numa ordem programada. Nessa época muda o conceito de DJs, que agora não apenas tocam músicas nos clubes, mas remixam produções existentes e criam peças próprias, transformando radicalmente a produção musical.

Ainda nos anos 1980 é criado o Musical Instrument Digital Interface (MIDI), programa de transmissão de dados entre computadores, sintetizadores, mixers computadorizados e gravadores. O MIDI padroniza uma linguagem que permite a conversa, a conexão entre instrumentos musicais. Ele possibilita que uma mesma pessoa componha, execute e grave peças musicais sofisticadas. A partir daí, novos "grupos" – na verdade, projetos freqüentemente formados por uma só pessoa – de música pop eletrônica desfrutam esse aparato. Entre eles destacam-se 808 State, System 7, Aphex Twin, Autechre, Squarepusher, The Orb e Orbital. Utilizando os recursos eletrônicos, vários gêneros musicais aparecem: ambiente, electro, house, techno, trance, trip hop e drum’n’bass. Ao longo dos anos 1990, a eletrônica se populariza como o novo gênero jovem, com a consagração comercial de artistas como Prodigy, Underworld, Daft Punk, Apollo 440, Basement Jaxx e Fatboy Slim.

De volta ao circuito erudito, nas universidades dos EUA, existem atualmente estúdios acadêmicos de música eletrônica. Entre os diversos aparelhos, encontram-se os computadores utilizados para compor o que se chama de música computadorizada. Na França está o maior laboratório de música eletrônica do mundo, o Instituto de Pesquisa e Coordenação Acústica/Música (Ircam), que desenvolve os principais programas empregados na composição computadorizada. Na Europa e nos EUA existe uma cena crescente de música eletrônica improvisada, altamente experimental.

O Brasil assimila tardiamente, e a seu modo, a música pop eletrônica internacional dos anos 1970, 1980 e 1990. Na segunda metade dos anos 1990, há um interesse pela música techno, principalmente como efeito de arranjos musicais. Experimentos de pesquisa sonora mais radical são realizados pelo grupo Chelpa Ferro em meados da década de 1990. Entre os principais nomes da nova geração de produtores de música eletrônica brasileira estão Xerxes, Bruno E., Mau Mau, Apollo 9, Marky, Tetine, Loop B, Ramilson Maia, anvil FX, Rica Amabis, andré t, DJ Dolores, Mugomango e Superágua.



MÚSICA SERTANEJA

Denominação genérica de toda música popular com características rurais, que utiliza violas caipiras, acordeons e vocalização em terças paralelas – as melodias das duas vozes se mantêm separadas pela mesma distância na escala. As letras invocam os aspectos bucólicos e românticos da paisagem, das pessoas e da vida interiorana. Esse tipo de música surge isoladamente, sem nenhum tipo de influência da cultura urbana nem da música norte-americana ou européia.

As canções sertanejas começam a popularizar-se em 1914, com a toada Cabocla di Caxanga, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense. A partir de 1920 o termo sertanejo passa a ser usado também por compositores profissionais urbanos para identificar as estilizações de ritmos rurais, que abrangem modas, toadas, cateretês, chulas, batuques e emboladas. Na década de 1940, o rádio torna-se um importante veículo de difusão do gênero, com radialistas como Zé Bettio, da Rádio Record. Nessa mesma época tem início a fusão da música criada nos sertões do país com a produzida nas cidades. Aparecem então estilos urbanos com sotaque interiorano, como o samba sertanejo e a valsa sertaneja. Na década de 1970, a música sertaneja urbana passa a incorporar elementos do romantismo melancólico, difundido pelo cantor e compositor Roberto Carlos em canções como Amada Amante e Detalhes. Essa nova vertente se torna um fenômeno de vendas nos anos 1990 e início do século XXI, com a ascensão de duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro e Leonardo (depois da morte de Leandro, 1961-1998, Leonardo seguiu solo), Zezé Di Camargo & Luciano, Gian & Giovanni, Christian & Ralf, o cantor Daniel (egresso da dupla com João Paulo, 1960-1997), Bruno & Marrone. Ela também se fixa definitivamente à imagem do caubói americanizado disseminada nos rodeios realizados em várias partes do país, que atraem um número de pessoas cada vez maior ao interior.

Paralelamente a essa produção, desenvolve-se o trabalho de artistas que preservam as características originais da música sertaneja. Entre os principais nomes dessa tendência estão Tonico e Tinoco, Cascatinha & Inhana, Pena Branca e Xavantinho, Alvarenga e Ranchinho, Matogrosso e Matias, Irmãs Galvão, Teixeirinha e Inezita Barroso. Num período posterior, sobressaem Milionário & José Rico, responsáveis pelo renascimento do gênero nos anos 1980, e Cezar e Paulinho. Entre os cantores-solo destacam-se Sérgio Reis, Almir Sater, Roberta Miranda e Jair Rodrigues.

Música caipira versus sertaneja – O termo sertanejo com freqüência é usado como sinônimo de caipira, nome inicialmente associado à música da região centro-sul brasileira, conhecida como "Paulistânia" – que inclui os ritmos produzidos nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Algumas pessoas, no entanto, consideram que música sertaneja é aquela produzida nas grandes cidades. A música caipira seria a verdadeira música de raiz, que não teve influência urbana e não utiliza instrumentos modernos adaptados, como bateria, teclados, guitarras e baixos elétricos. Na opinião de um dos principais nomes da vertente de raiz, a cantora, compositora e violonista Inezita Barroso, uma das diferenças básicas está na temática. A música caipira versa sobre a vida no campo, histórias de bichos, fábulas, episódios, crenças e choques de culturas, enquanto a música sertaneja urbana fala das cidades, é mais dramática e melancólica e trata de temas como adultério, traição e frustração.



ÓPERA MUSIC

Drama musical cantado que surge na Itália e predomina entre os séculos XVII e XIX na Europa. É uma das manifestações do barroco na música, embora o romantismo também o tenha cultivado. O enredo da ópera é chamado de libreto – pequeno livro contendo o texto ou o argumento da obra. A ópera nasce numa época em que a Igreja Católica só admitia cantos sacros e sem acompanhamento de instrumentos. Um grupo de músicos de Florença busca então recuperar a forma original do teatro grego, declamado de forma quase cantada e acompanhado por flautas e liras.

A primeira ópera, Dafne, é apresentada em Florença (Itália) em 1598, com libreto do poeta Ottavio Rinuccini (1562-1621) e música de Jacopo Peri (1561-1633). Em 1607, baseado na ópera Eurídice (1600), de Rinuccini e Peri, Claudio Monteverdi cria Orfeo (1607), iniciando o repertório clássico do gênero.

O primeiro teatro de ópera é inaugurado em 1637, em Veneza (Itália). Antes do fim do século, a cidade ganha mais dez casas do tipo. Na segunda metade do século XVII, Alessandro Scarlatti , autor de Pompeo, impõe-se como compositor e é considerado o pai da ópera napolitana. O cultivo dos aspectos farsescos dá origem, no século XVIII, à ópera bufa, em oposição à ópera séria. Seu principal precursor é Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736), de A Criada Patroa.

Na primeira metade do século XVIII, a ópera já está difundida em toda a Europa, com predominância do estilo bufo. Os textos do libretista Pietro Metastasio (1698-1782) são remusicados à exaustão. Ainda no século XVIII, Mozart compõe A Flauta Mágica, Don Giovanni e As Bodas de Fígaro, que estão entre as principais obras do gênero.

No século XIX, Gioacchino Antonio Rossini, de O Barbeiro de Sevilha, e Vincenzo Bellini (1801-1835), de Norma, renovam a ópera italiana com a valorização dos elementos teatrais. Já na França prevalece a ópera cômica. A Alemanha prepara a ópera romântica, tendo como precursor Carl Weber, com O Franco-Atirador e Oberon. O auge desse estilo se dá com Richard Wagner , autor de O Anel dos Nibelungos e O Navio Fantasma.Paralelamente, desenvolvem-se obras de Giuseppe Verdi , como Rigoletto, La Traviata e Aída. O sucessor de Verdi é Giacomo Puccini, com La Bohème, Tosca, Madame Butterfly e Turandot.

Reconhecimento mundial – Nas primeiras décadas do século XX destacam-se o alemão Richard Strauss , que compõe Salomé e Electra, e o austríaco Alban Berg (1885-1935), que cria óperas de temáticas ligadas ao expressionismo. Nos Estados Unidos (EUA), George Gershwin compõe Porgy and Bess (1935), que incorpora elementos da música negra norte-americana. A ópera também se alia ao cinema. West Side Story (1957) é uma ópera-filme com música de Leonard Bernstein que reconta a história de Romeu e Julieta entre gangues de Nova York. O gênero une-se ainda ao rock, como nas óperas-rock Jesus Cristo Superstar e Hair.

Vários cantores de ópera atingem o reconhecimento internacional neste século. Nas primeiras décadas sobressaem o tenor italiano Enrico Caruso e a soprano greco-norte-americana Maria Callas .

A partir dos anos 1980, o gênero é revitalizado com a produção de obras de inspirações vanguardistas e a popularização de grandes apresentações públicas e gravações. Na vanguarda, o ecletismo é representado pelas óperas francesas Montségur (Marcel Landowisk) e Annapurna (Adrienne Clostre). O minimalismo está presente na ópera Akhenaton, do norte-americano Philip Glass .Um fenômeno é a vendagem no início dos anos 1990 de 10 milhões de exemplares – um recorde para a música erudita – da gravação dos concertos de três grandes tenores contemporâneos: o italiano Luciano Pavarotti (1935-) e os espanhóis José Carreras (1947-) e Plácido Domingo (1941-). A soprano neozelandesa Kiri Te Kanawa (1944-) alcança grande sucesso de público e crítica.

No final da década de 1990 o gênero ganha um novo domínio, o da eletrônica e da computação, com as experimentações do compositor e performer Todd Machover do Massachussets Institut of Techonology (MIT) com sua Brain Opera, espetáculo interativo em que o público é chamado a participar com movimentos dos braços, alterando o resultado visual e sonoro.



ORQUESTRA

Conjunto de músicos geralmente dirigidos por um regente e que executa peças escritas para diversos instrumentos. O termo origina-se do grego e significava, na Antiguidade, a parte do anfiteatro entre a cena e a platéia destinada à dança, aos músicos e ao coro. O primeiro compositor a usar um conjunto de instrumentistas é o veneziano Giovanni Gabrieli (1557-1612). Mas o compositor italiano Claudio Monteverdi é considerado o introdutor da orquestra por ter utilizado um conjunto de 36 músicos para fazer o acompanhamento de sua ópera Orfeo. Até o século XVIII, a orquestra mantém-se formada predominantemente por instrumentos de corda, no fim deste mesmo século o compositor Joseph Haydn estabelece as normas para a moderna orquestra sinfônica com cordas, sopros e percussão. No século XIX, os compositores alemães Ludwig van Beethoven e Richard Wagner e o francês Hector Berlioz acrescentam às cordas diversos instrumentos de sopro, dando maior amplitude e intensidade à orquestra de Haydn. No século XX, compositores contemporâneos nela incluem instrumentos de percussão, e até mesmo eletrônicos.

No século XX, os compositores Gustav Mahler e Richard Strauss ampliam o tamanho das orquestras sinfônicas, que passam a ser formadas por quase uma centena de músicos. Mas o tamanho de uma orquestra irá sempre variar de acordo com as obras a ser executadas durante o concerto. A matriz da orquestra atual é a orquestra romântica formada por:No fundo do palco ficam os instrumentos de percussão: entre outros quatro tímpanos, um bombo, um gongo, uma caixa clara, uma caixa de rufo e uma celesta;Logo abaixo vêm os metais: uma tuba, quatro trombones, quatro trompetes e quatro trompas;À frente dos metais estão os instrumentos de sopro de madeira: três flautas e uma flauta picollo, quatro oboés, duas clarinetas e dois fagotes;Logo diante do maestro vêm as cordas: à sua direita, aproximadamente 8 contrabaixos, 12 violoncelos; ao centro, 12 violas; à esquerda 12 primeiros e 12 segundos violinos.

No século XX a orquestra foi ampliada ainda mais, incorporando instrumentos como o saxofone, as guitarras elétricas, os sintetizadores, as percussões e outros instrumentos de culturas afro-asiáticas, a bateria de rock; vozes amplificadas por microfones, sistemas digitais interativos para transformação sonora, potentes caixas acústicas.



RAP

Abreviação para rhythm and poetry (ritmo e poesia), o gênero surgiu em meados da década de 1970, em Nova York (EUA), entre adolescentes negros e hispânicos. Caracteriza-se pelo ritmo linear e suingado, a quase inexistência de melodia e harmonia e um longo discurso entoado. As letras, em geral longas, são quase recitadas e utilizam gírias das gangues que habitam os guetos pobres das metrópoles. O rap combina-se com a arte visual dos grafites e ao break, dança de movimentos bruscos, sincopados e de malabarismo, no movimento conhecido como hip hop.

Entediados com a disco music, e por não ter dinheiro para dançar nos clubes, esses jovens se apropriam do funk pesado e da disco, extraem amostras de suas músicas favoritas (como as de James Brown) e as mixam em seus próprios arranjos, usando-as como base musical de suas apresentações. É com a incorporação do elemento MC (o mestre-de-cerimônias, ou microphone controller), com seu discurso ritmado sobre a base musical e a declamação de poesias de rua inicialmente improvisadas, que o gênero se define como rap. O lançamento oficial ocorre em 1979, com o disco Rapper’s Delight, do grupo Sugarhill Gang. Africa Bambaataa e sua banda Soul Sonic Force lançam obras fundamentais, como Planet Rock (1982) e Renegades of Funk, em dueto com James Brown, em 1984. Mas os precursores podem ser localizados já na passagem dos anos 1960 para os 1970, quando alguns artistas, como os do coletivo Last Poets e o cantor e escritor Gil Scott-Heron, começaram as primeiras declamações de poesia engajada acompanhados de percussão, na efervescência do movimento negro americano.

Logo no início, o músico Grandmaster Flash desenvolve o scratch, efeito sonoro provocado pelo atrito intencional do vinil com a agulha de um toca-disco, e outras técnicas de manipulação de vinis. Flash se inspira no DJ jamaicano Kool Herc, que levou para Nova York a moda dos sound systems, equipamentos usados em festas de rua, onde é tocado o reggae no estilo "dub", em mixagens hipnóticas, e no DJ menino (de 13 anos) Grand Wizard Theodor, o primeiro a virar o prato do pick-up de trás para a frente com a agulha sobre o disco. Os scratchings são rapidamente assimilados pela cultura hip hop, que também usa baterias eletrônicas e outros equipamentos programados, ao invés de músicos. No fim da década de 1980 disseminaram-se os samplers, teclados especificamente criados para trabalhar sobre trechos de gravações anteriores. O DJ virou o virtuose, sendo o toca-discos seu instrumento, e dando vez aos DJs-celebridade, que se consagram em todos os gêneros eletrônicos.

No início do rap, chamado "old school", destacam-se Kurtis Blow, Grandmaster Melle Mel, LL Cool Jay, Whodini, Mantronix, Fat Boys e Boogie Down Productions, seguidos por gente de expressão comercial cada vez maior, como Run DMC (os primeiros a samplear o rock branco, no caso o do Aerosmith), Eric B & Rakim, Public Enemy (expoentes do rap politizado), Ice T, Ice Cube, NWA, Wu-Tang Clan, Snoop Doggy Dogg e Coolio. Também surgem, ao longo das duas décadas seguintes, artistas e grupos femininos, como Salt’N’Pepa, Roxanne Shante e Queen Latifah; intelectualizados, como De La Soul e Arrested Development; mais suaves, como PM Dawn e Digable Planets, e finalmente um branco, Eminem, é consagrado no gênero.

No fim da década de 1980, o rap mistura-se a outros gêneros. A partir da música do Stetsasonic, "Talkin’ All That Jazz", surge o jazz rap, ou acid jazz, que ganha adeptos como US3 e Jazzmatazz. A conexão entre o rap e o reggae é retomada com o raggamuffin’, cujos expoentes são Shabba Ranks e Yellowman. O gangsta rap tem seu primeiro grande nome com Ice T, e o precursor no álbum Hustlers Convention (73), de Lightnin’ Rod. Falando basicamente de brigas entre gangues e com forte apelo sexual e machista, desencadeia rivalidades, como a que houve entre a Costa Leste e a Costa Oeste dos EUA, que resultam no assassinato de grandes nomes da cena, como 2Pac Shakur e Notorious B.I.G. Outro nome conhecido da cena, o DJ Jay Master Jay, do Run DMC, é morto em 2002.

Na América Latina, os primeiros rappers surgem em São Paulo (SP), a partir das "equipes" que dançavam break na estação São Bento do metrô. Também por essa época se notam os primeiros grafites nos muros da cidade. O primeiro álbum de rap brasileiro é a coletânea independente A Ousadia do Rap, em 1987, e o primeiro que tem visibilidade é Hip Hop Cultura de Rua, do ano seguinte, que projeta o duo Thaíde & DJ Hum. Inicialmente, o grande público não aceita bem esse tipo de manifestação musical, que se mantém marginalizada e confinada nas periferias das grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Somente na década de 1990, o rap começa a ganhar espaço na mídia e na indústria fonográfica. Além dos pioneiros Thaíde & DJ HUM, ainda ativos, surgem nomes como Racionais MC’s, Câmbio Negro, Pavilhão 9, Planet Hemp, Xis, MV Bill, Rappin’ Hood, Sabotage, A Conspiração e Z’África Brasil. Ganham visibilidade no começo do novo século as primeiras artistas femininas do rap nacional, como o grupo Negaativa e a Nega Gizza. Ao longo da década, outros gêneros musicais incorporam o rap a seus sons, como no movimento mangue beat a música de Chico Science & Nação Zumbi, e muitos artistas de rock e de pop, como Gabriel, o Pensador. No Rio, o hip hop popular, baseado no gênero Miami Bass, é menos politizado que nos outros estados, mas mantém grande penetração na periferia, nos chamados bailes funk. Durante muito tempo baseado em produções precárias, o rap nacional inicia o novo século em um patamar finalmente profissionalizado.



REGGAE

Gênero musical nascido na Jamaica, que se consolida na década de 70. Caracteriza-se pela mistura de ritmos percussivos africanos e do rhythm and blues com elementos de mento, música folclórica jamaicana, calipso e ska, que conferem ao estilo um ritmo dançante. Os principais instrumentos que marcam o reggae são a bateria; a guitarra, que faz o contratempo, às vezes acompanhada da caixa da bateria e percussão; e o contrabaixo, cuja sonoridade é semelhante à dos tambores africanos. As letras contêm forte crítica social à situação dos negros jamaicanos, à pobreza no terceiro mundo e à religiosidade. A temática recebe grande influência do movimento jamaicano religioso rastafari, que prega a superação da miséria dos negros por meio da atuação política e espiritual, e que tem no uso da maconha seu elemento de transcendência mística e filosófica. O movimento é iniciado pelo padre jamaicano Marcus Mosiah Garvey (1887-1940), que abandona a idéia de harmonia racial, defendendo que os negros deveriam voltar à África. O nome é uma referência ao imperador etíope Ras Tafari JustificarMakonnen, coroado em 1930 e considerado líder espiritual dos mais fanáticos rastafaris jamaicanos por muitos anos.

Inicialmente, o gênero é tocado nos subúrbios de Kingston, capital do país, onde os negros organizam os sound systems – bailes comandados por disc-jóqueis (DJs). Os DJs tornam-se figuras fundamentais, como Prince Buster, um dos pioneiros. No fim dos anos 50 surgem os primeiros grandes nomes, como Delroy Wilson, Bob Andy, Burning Espear, U-Roy e Johnny Osbourne, e as bandas The Wailers, Ethiopians, Desmond Dekker e Skatalites. Nessa época, as rádios jamaicanas, dominadas pela aristocracia, recusam-se a tocar reggae – a música dos desfavorecidos – e contrata estrangeiros para programá-las. Posteriormente, o ritmo torna-se mais lento e sensual e recebe o nome de rocksteady.

Em momentos da história do reggae jamaicano, os produtores, como Lee Perry e "Coxsone" Dodd, são tão importantes quanto os próprios artistas, criando técnicas de gravação como as do remix dub, depois disseminado pela cultura pop. Os principais nomes são o conjunto The Wailers – do qual participavam Bob Marley (1945-1981) e Peter Tosh – e os cantores Jimmy Cliff, Augustus Pablo, King Tubby, Gladiators, Abyssinians e a dupla Sly & Robbie. A partir de 1970, o gênero começa a conquistar outras ilhas centro-americanas e o Reino Unido, onde o primeiro grande sucesso é a música I Can See Clear Now, gravada em 1971 pelo norteamericano Johnny Nash.

Após a dissolução da formação original dos Wailers, em 1974, Bob Marley e Peter Tosh iniciam carreira solo. Marley, que representa a face mais messiânica e religiosa do gênero, é responsável por clássicos como I Shot the Sheriff, que alcançou sucesso internacional na versão de Eric Clapton, e No Woman, No Cry, popularizada no Brasil por Gilberto Gil. Peter Tosh faz Legalize It, que pede a legalização da maconha. Nos anos seguintes, o ritmo passa a integrar o repertório de músicos como Paul Simon (1942-), Eric Clapton (1945-) e Rolling Stones. Os grandes nomes do reggae na geração posterior à dos Wailers são o Steel Pulse, o Black Uhuru, Inner Circle, Big Mountain e Linton Kwesi Johnson, poeta jamaicano radicado na Inglaterra.Na década de 80, o gênero é fortemente incorporado pelo movimento pós-punk new wave, por nomes como Clash, The Police, Public Image Ltd., Specials, Madness e The Selecters (estes três últimos mais para o ska puro). O filho de Bob Marley, Ziggy, surge para retomar o legado do pai, e no exterior, principalmente na Inglaterra, surgem artistas representativos do reggae como as bandas Steel Pulse e UB40. Nessa década aparece na Jamaica um movimento de afastamento do rastafarismo, conhecido como ragga (ou raggamuffin), que utiliza as programações eletrônicas e cujas letras falam de sexo e violência. Deslanchando a carreira de novos ídolos como Shabba Ranks e Yellowman, o ragga é a volta da influência que o reggae teve sobre a criação do rap, com seus vocais falados sobre bases lineares e envolventes. O termo dancehall, que definia os grandes salões para festas, passa a designar a fusão do reggae com a dance music.Ao década de 90, esse reggae mais descartável perde importância e o gênero se firma em duas vertentes estilísticas, as duas novamente politizadas: roots (ortodoxa) e ragga (inovadora). Veteranos nomes ainda em atividade são respeitados: Burning Spear, Mad Professor, Lee Perry, King Tubby, ao lado de nomes mais recentes como Midnite, Lucky Dube, Sizzla e Buju Banton. Outro grande nome do pop negro, o trio americano The Fugees, flerta com o gênero, antes de se separar.

Reggae no Brasil – O Brasil é considerado um dos maiores difusores do reggae. Atualmente há boas bandas no Maranhão, Bahia, Ceará, São Paulo, Rio, Espírito Santo, Brasília, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Em São Luís (MA), conhecida como capital do reggae brasileiro, são organizados espetáculos ao ar livre semelhantes aos sound systems jamaicanos – verdadeiras paredes de caixas de som pilotadas por DJs. Em Salvador, São Paulo e Rio a cena também é expressiva. O gênero alcança popularidade no país a partir da década de 70, quando artistas como Gilberto Gil (1942-) incorporam o ritmo a suas músicas. Nos anos 80, Os Paralamas do Sucesso, influenciados inicialmente pelo grupo inglês The Police, unem o reggae ao rock e a outros ritmos centro-americanos que passam a pesquisar.Surgem ainda bandas que mesclam as influências do reggae ao pop (Skank) e a ritmos regionais nordestinos (Chico Science & Nação Zumbi). Um grande número de músicos da MPB passa a incorporar o reggae com freqüência em seus repertórios, entre eles Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Chico César e Lenine. Entre as principais bandas de reggae em atividade estão Cidade Negra, Tribo de Jah, Natiruts, Sine Calmon & Morro Fumegante, Alma D’Jem, Leões de Israel, Planta e Raiz, Djambi, Mano Banto, Mystical Roots, Ras Bernardo, Adão Negro e Edson Gomes.



Rock'n Roll

Gênero musical que surge nos Estados Unidos (EUA), nos anos 50, impulsionado por músicos brancos a partir da energia e da sensualidade da música negra, e que logo alcança repercussão mundial. Caracteriza-se pelo ritmo acelerado, mistura de elementos de blues e rhythm & blues ao country branco, e pelo uso de guitarra elétrica, baixo e bateria. A repercussão nacional acontece em 1955, com a música Rock Around the Clock, de Bill Haley e Seus Cometas. No mesmo ano, Elvis Presley faz a fusão de country music com rhythm & blues, originando o rockabilly e tornando-se o mais bem-sucedido roqueiro da história. Em 1956, Elvis grava Heartbreaker Hotel, o disco (compacto) mais vendido do país. Apesar das letras ingênuas, o rock converte-se em sinônimo de rebeldia.

Anos 60 – Em setembro de 1962, a música Love Me Do, dos Beatles, entra nas paradas de sucesso internacionais. Em 1964, o grupo inglês conquista os EUA e transforma-se num fenômeno mundial. Durante a Guerra do Vietnã, surgem os hippies e os pacifistas. O rock político militante ganha força com Bob Dylan (1941-), que une a música country ao rock. No Reino Unido, os Animals, Yarbirds, The Who, Steppenwolf, Cream, Kinks, Van Morrison e o quinteto The Rolling Stones, o primeiro a fazer sucesso com letras transgressoras e concertos espetaculares para a época. O final da década é marcada pelo mote "sexo, drogas e rock’n’roll". Ligado ao consumo de LSD e à "expansão da mente", o rock psicodélico nasce em São Francisco, Califórnia, com grupos como Love, os Doors de Jim Morrison (1943-1971) e Jefferson Airplane. Também na cena londrina, chamada Swingin’ London, o ambiente psicodélico influencia o surgimento do Pink Floyd e a fase mais madura dos Beatles, pegando de raspão nos Rolling Stones. O Velvet Underground, de Lou Reed e John Cale (1943-), faz um estilo transgressor e minimalista em Nova York, antecipando as tendências da década seguinte.

O rock progressivo e sinfônico consolida-se com as bandas Yes, Genesis, Pink Floyd, King Crimson, Gentle Giant e Van der Graaf Generator. Uma geração cínica, ambígua e violenta surge nos EUA, antecipando o punk, com MC5, os Stooges de Iggy Pop e os New York Dolls. O hard rock de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple e Grand Funk Railroad começa a dar origem ao heavy metal, com baterias, guitarras e vocais cada vez mais agressivos. Nos EUA, correndo por fora, despontam Frank Zappa, Captain Beefheart, Alice Cooper, Iggy Pop e Lou Reed em carreira solo, Neil Young; e no Reino Unido, Elton John. É o apogeu da disco music. Contra ela e o rock "de arena", a partir de 1975, nos EUA e no Reino Unido, começa a surgir o punk rock, que em 78 se torna um fenômeno com os Sex Pistols, em manifestos como Anarchy In the UK.

A grande variedade e a fusão de estilos marca a década: industrial, new pop, no wave, new psychedelic, rap e o new romantic, uma atualização do glam, com Boy George e Duran Duran. No dark ou gótico estão The Cure, Siouxie and The Banshies e Bauhaus, entre outros; após o suicídio do líder Ian Curtis (1956-1980), o Joy Division, uma das principais bandas dessa cena, se transforma no New Order, dando origem ao estilo indie-dance. O rock de protesto é representado pelo irlandês U2, com o hit "Sunday Bloody Sunday", tornando-se um fenômeno de vendagens ao longo da década e durante a seguinte. O heavy metal se consolida como um gênero à parte; nos EUA, surge a fusão entre metal e funk produzida por Red Hot Chili Peppers e Faith no More, e a fusão entre metal e eletrônica, com Ministry e Nine Inch Nails. Numa década novamente marcada mais por bandas do que por artistas-solo, Madonna é o maior fenômeno feminino do pop-rock, e Bruce Springsteen ganha destaque ao traduzir as aspirações do trabalhador americano com sua mistura de pop, country e rock. Michael Jackson vende 47 milhões de cópias do álbum Thriller, e é, ao lado de Prince, o maior astro do pop-rock negro.O grupo mais famoso é o Nirvana, liderado por Kurt Cobain. Kurt Cobain (1967-1994), o maior ídolo da década, se suicida. O rock britânico ganha novas bandas, como Oasis, Pulp, Blur e Verve, que fazem parte do movimento chamado britpop, enquanto o Radiohead ocupa um espaço criativo à parte. A banda brasileira Sepultura se torna o principal nome do metal mundial, introduzindo variações no estilo que levariam às inovações do chamado Nu-Metal. No pop negro, Prince, Lenny Kravitz e Lauryn Hill se destacam.

Anos 2000 – A partir de Nova York e do sucesso instantâneo dos Strokes, há uma grande revitalização do rock, com bandas de vários países (americanas, inglesas, escocesas e australianas) e tocando em diversos estilos, mas todas combinando simplicidade, peso, credibilidade e apelo popular, entre as quais se destacam White Stripes, The Hives, Yeah Yeah Yeahs, The Vines, Black Rebel Motorcycle Club, Rapture e Queens of the Stone Age. O tecnopop dos anos 80 também ressurge com ironia e força totais, tendo à frente Miss Kittin & the Hacker, Fischerspooner, Peaches e outros. Países fora do circuito usual revelam cenas fortes, como a Islândia do Sigur Rós e a Suécia dos Hives.

Rock no Brasil – O rock''n''roll chega ao país em 1955, quando Nora Ney grava a versão de Rock Around the Clock. A primeira estrela nacional do gênero é Celly Campelo (1942-2003), com os hits Estúpido Cupido e Banho de Lua, no início dos anos 60. O rock’n’roll populariza-se com outras versões de sucessos norte-americanos, por Nick Savóia e Ronnie Cord (1943-1986). A partir de 1965, Roberto Carlos, Erasmo Carlos (1941-) e Wanderléa (1946-) tornam-se os símbolos da jovem guarda. Ganham destaque bandas como Os Incríveis, Golden Boys, Os Brasões, The Pops, Renato e Seus Bluecaps, Jet Blacks, The Fevers, The Jordans e The Clevers. Em 1966, Os Mutantes revelam Rita Lee e introduzem a guitarra elétrica no cenário musical brasileiro.

A década de 80 é dominada pela forte cena underground das principais capitais do país, com o rock nascente de Gang 90, Blitz, Ultraje a Rigor, Lulu Santos, Titãs, Legião Urbana, Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Lobão, RPM, Engenheiros do Hawaii. Já afastado do Barão Vermelho, Cazuza morre de complicações decorrentes da Aids, assim como Renato Russo (1960-1997), líder da Legião Urbana. A partir de 1993 surge o movimento mangue beat, no Recife (PE), com destaque para mundo livre s/a e Chico Science & Nação Zumbi, que incorporam ritmos nordestinos; o líder Chico Science (1966-1996) morre em um acidente de carro.